Site em construção: veja roadmap e a cobertura.

Mapas investigativos
Intermediário 40 min

Siga o dinheiro: da doação de campanha ao contrato público

Como verificar, com dados oficiais do TSE e da CGU, se quem financiou a campanha de um político depois apareceu como fornecedor do poder público.

CGUTSE

O que este mapa investiga

Empresas podem doar serviços e pessoas físicas podem doar dinheiro a campanhas — é legal. Empresas também vendem ao governo — igualmente legal. O que merece atenção é o padrão: o mesmo CNPJ que financia a campanha de um parlamentar e, meses depois, fatura contratos de órgãos sob influência dele. Este mapa ensina a montar esse dossiê com dados oficiais, sem atalhos e sem acusação.

O ciclo que você vai percorrer: Demanda (a campanha precisa de dinheiro) → Conexão (a doação registrada no TSE) → Resultado (o contrato registrado na CGU). A ligação entre as pontas nunca é automática — é uma hipótese que você constrói e verifica.

Passo 1 — Escolha o político e colha as contas de campanha

  1. Abra a ficha do parlamentar em Deputados ou Senadores e desça até a seção Eleições — ela lista as últimas candidaturas, os bens declarados e os top doadores e top fornecedores da campanha mais recente (fonte: prestação de contas do TSE).
  2. Se preferir partir do candidato, use a busca de candidatos e abra a ficha da candidatura.
  3. Anote os doadores pessoa jurídica (CNPJ de 14 dígitos). Doadores pessoa física vêm com CPF mascarado pelo próprio TSE (***.NNN.NNN-**) e não são cruzáveis — essa é uma limitação da origem, não do site.
  4. Chave de busca importante: o SQ_CANDIDATO (número sequencial da candidatura) aparece na URL da ficha — guarde-o para reproduzir a consulta na fonte oficial (DivulgaCandContas).

Passo 2 — Verifique se o doador vende ao governo

  1. Para cada CNPJ doador, abra a página do fornecedor (busque o CNPJ na busca unificada). Se o CNPJ tem contratos federais importados, a ficha mostra órgãos contratantes, valores e a seção Doações eleitorais — que fecha o cruzamento no sentido inverso.
  2. Compare as datas: doação foi antes do contrato? Quantos meses separam uma coisa da outra? Contrato assinado logo após a posse do político beneficiado pesa mais que um contrato antigo.
  3. Compare os órgãos: o contrato é de um órgão sobre o qual o parlamentar tem influência real (comissões, emendas destinadas, base estadual)? Sem esse elo, o cruzamento perde força.

Passo 3 — Confira os sinais automáticos e reproduza na fonte

  1. A plataforma roda esse cruzamento automaticamente: o sinal doador_virou_fornecedor aparece em Qualidade e nas fichas envolvidas, com valor doado, valor do contrato e o intervalo em meses. Os critérios estão em Metodologia.
  2. Reproduza na origem antes de qualquer conclusão: a prestação de contas oficial fica no DivulgaCandContas do TSE (link "Ver na fonte oficial" na ficha do candidato) e o contrato, no Portal da Transparência (link no card do contrato).
  3. Procure explicações legítimas: fornecedor tradicional daquele órgão desde antes da eleição? Doação pequena diante do faturamento? Setor com pouquíssimos fornecedores capazes?

O que este mapa NÃO prova

Doação legal + contrato legítimo não é irregularidade por si só. O padrão vira notícia ou denúncia só depois de: (a) confirmar as duas pontas na fonte oficial; (b) estabelecer o elo de influência entre o político e o órgão contratante; (c) ouvir os envolvidos. Use o Kit ao lado para transformar o que você colheu em análise.